"Viaje segundo seu próprio projeto, não dê muito ouvido às facilidades dos itinerários cômodos e dos rastros já pisados, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás ou, ao contrário, seja persistente até encontrar saídas desacostumadas do mundo. Não terá melhor viagem. E, se assim pede a sua sensibilidade, registre tudo o que viveu e sentiu, o que disse ou ouviu dizer. A felicidade, saiba você, tem muitos rostos. Viajar é provavelmente um deles." (JS)

domingo, 13 de abril de 2008

As esquinas.

Tempos depois, volto a escrever aqui. Em partes, pois confesso: foi muita coisa em pouco tempo. É, foi mesmo, mas foi lindo. Preciso dar um jeito de contar tudo, fazer a vida virar webnovela e dividir em capítulos o pouco de mundo que conheci.

Vamos aos fatos.

Assim que saí de Izmit começou a viagem mais longa de toda a minha vida, os dias mais corridos e intensos que eu já vivi, e os malditos se foram assim, sem explicação. Apenas foram. No dia 29 de março peguei um avião em Istanbul e, 4h depois, cheguei à minha primeira parada: Londres. Aliviei o coração ao encontrar velhos amigos, falar português, comer bacon (alguém ainda lembra que na Turquia o porco é proibido?) e andar por aquelas ruas que sempre quis andar. De noite, entre luzes e escuros, estava num estado de choque: cansada e com os olhos vidrados, ainda em transe. Tudo era exatamente como imaginei por anos a fio.









E quase sem sentir, se foram aqueles três dias. Meus pés ficaram brancos, mais horriveis do que nunca (não achei que isso fosse possível). Meus bolsos, vazios. Viver 72h na terra dos pounds só me mostrou que reais e liras turcas são muito bonzinhos e confortáveis pra mim. Vontade de levar tudo pra casa, de tirar uma foto a cada segundo: tudo lá é cor, sabor e liberdade.







Chego a conclusão que se tivesse ido pra lá aos 17 teria eleito Londres a cidade da minha vida. Too late. Fica na memória apenas como um punhado de dias bons em uma rota inesquecível. E quer saber? Pra mim foi mais que o suficiente.

(to be continued)