"Viaje segundo seu próprio projeto, não dê muito ouvido às facilidades dos itinerários cômodos e dos rastros já pisados, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás ou, ao contrário, seja persistente até encontrar saídas desacostumadas do mundo. Não terá melhor viagem. E, se assim pede a sua sensibilidade, registre tudo o que viveu e sentiu, o que disse ou ouviu dizer. A felicidade, saiba você, tem muitos rostos. Viajar é provavelmente um deles." (JS)

domingo, 18 de maio de 2008

Os fins.

Por muito tempo evitei voltar aqui. Um pouco por preguiça, outro pouco por conta do tempo cheio de compromissos, mais outro pouco basicamente pela verdade: não queria que tudo acabasse.

O fato é: faltou Paris.

A cidade mais linda que eu já vi com esses óculos. É o que eu tenho pra dizer. Lá eu fiquei com os pés ainda mais brancos. E a bateria da minha câmera acabou. Dormi dentro de um ônibus de excursão (não fiz excursão alguma por lá, que fique claro). Troquei uns bons desaforos, que no fim renderam uma amiga pra sempre. Cochilei no segundo andar da Torre Eiffel. Fiquei horrível em todas as fotos. Não bebi. Encontrei turcos escandalosos no trem. Percebi que o mundo é gay. Caminhei como nunca. Me perdi. Ri. Comi macarrão ao molho pesto enquanto falava sobre a vida. Deitei no banco da praça (sem querer esquecer ninguém). Conheci lugares que nunca achei que gostaria de conhecer e adorei. Passei a perna em motorista de ônibus. E meu dinheiro acabou. Além disso, deixei meu coração lá, embasbacado com a vivência de tanta coisa em pouco tempo.

Abaixo a única foto que consegui tirar da minha máquina (todas as outras surrupiei da minha companheira de andanças européias, a nova londrina Sendi):


Bom, depois disso, voltei a Londres. A Istanbul. A Izmit. Peguei o resto das minhas malas e chorei lágrimas dignas do mar de Mármara. E voltei a Istanbul. Depois Paris, onde passei longas doze horas deitada no aeroporto, com um olho aberto e outro fechado, de malas na mão. Na seqüência, São Paulo. Mais além, Florianópolis. Por último, Santa Maria. E fim.

Eu comigo mesma, no Aeroporto Charles de Gaulle, Paris, na madrugada de 06 de abril de 2008:



Eu sei, a viagem acabou faz tempo. Aquela viagem.

Aqui no Brasil, continuo percorrendo pequenos espaços de vida. Desde que voltei, há pouco mais de um mês, passei por Toropi, São Pedro, Florianópolis, Palhoça, Itajaí, Balneário Camboriu, Frederico Westphalen, São Miguel d’Oeste e Itapiranga.

Pretendo viajar mais. Ir mais longe. Andar alguns quilômetros aqui por perto também não faria mal, mas afinal... de tudo isso, ganhei mais do que uma lista de lugares que visitei e outra lista de lugares que ainda quero visitar.

Obrigada aos meus pais por tudo que me proporcionaram. À mim mesma, pelos anos de trabalho que me prepararam inconscientemente para agüentar todas as barras. Ao meu amor, por superar toda a distância desde 2005. Aos familiares próximos, esses que estão com a gente pra sempre. Aos amigos brasileiros que tantas vezes responderam e-mails de uma carente Ana. Aos amigos que só descobri o valor quando estava longe. À minha companheira da última viagem, mesmo com todas as brigas que passamos. À minha família turca, verdadeiros anjos. Aos meus colegas de trabalho, pela paciência. À AIESEC, por existir e ter um principio bonito, mesmo entre erros e acertos. Aos meus amigos chineses, turcos, macedônios, indianos, canadenses, chilenos, neozelandeses, colombianos, russos, mexicanos, escoceses, indonésios, tunisianos e alemães, por mostrarem o quanto o mundo pode ser maior, mais bonito e mais interessante do que parece.

Porque no fim, meu amigo, são as pessoas que importam nessa vida, seja lá onde você estiver.